Sabe quando você joga aquele título AAA caríssimo e sente que faltou alma? É exatamente contra essa maré de jogos apressados e mal acabados que o Cafuné Studios rema. Formado por quatro desenvolvedores apaixonados em Ribeirão Preto, o estúdio independente brasileiro nasceu com uma missão clara: criar histórias que tocam o emocional, deixam mensagens para a vida toda e entregam aquele "capricho" e carinho que o próprio nome sugere. E o primeiro grande passo dessa jornada já tem nome, propósito e muita criatividade envolvida: o jogo Fidedigna. Em entrevista exclusiva para o portal Geek Mega, Rafael Pott, programador e game designer do estúdio, trouxe novos detalhes sobre o jogo, o estúdio e seus bastidores.Para a galera que está conhecendo o Cafuné Studios agora, conta um pouco pra gente: como o estúdio nasceu e o que significa, na prática, a missão de vocês de "criar histórias que marcam"?O estúdio nasceu de uma paixão por jogos dos quatro integrantes do estúdio. Nós sempre tivemos bastante contato com jogos e gostamos muito de histórias que tocam o emocional, que deixam uma mensagem ou uma sensação que você vai lembrar pra vida toda. Nosso propósito é contar histórias deste tipo através de jogos. O nome Cafuné passa uma sensação de aconchego, como um abraço. Se você olhar para a indústria de jogos hoje, especialmente os jogos Triple A, ainda é muito comum o público recebendo um produto final que é claramente mal acabado, apressado ou desleixado de um estúdio que claramente tinha recursos para fazer mais do que isso. Acreditamos que isso acontece por uma falta de capricho, falta de carinho, falta de um Cafuné...O estúdio começou suas atividades participando de Game Jams, e foi neste contexto que Fidedigna surgiu. Nascido durante uma Game Jam sob o tema "Nada sobre nós, sem nós", Fidedigna é um jogo narrativo que aborda ativismo e discriminação de um jeito super original. Esqueça a pancadaria ou a violência gráfica. Aqui, os conflitos sociais são resolvidos no debate! Inspirado no clássico brinquedo Genius, o game usa dinâmicas de repetição de teclas e notas musicais para simular os embates de ideias. O jogador precisa usar a memória para "rebater" os argumentos do oponente, lidando com diferentes níveis de dificuldade, limite de tempo e mecânicas sonoras que trazem personalidade a cada adversário.No centro dessa história está Vera Veríssimo, uma jovem universitária com poucos recursos que acaba se tornando a voz de um movimento social na sua cidade. Mas não pense que ela já chega pronta para liderar: Vera é insegura, um pouco impaciente e carrega o pesado fardo de ser filha de um ex-professor de debates influente na faculdade. A jornada dela envolve desmistificar a ideia de que precisa resolver tudo sozinha. Para garantir que essa trama seja genuína e não apenas um discurso vazio, o estúdio está buscando referências e vivências reais para construir o roteiro e abordar as injustiças sociais com a profundidade que o tema exige.O mercado de jogos independentes no Brasil é cheio de talentos, mas também de obstáculos. Como vocês enxergam a cena indie brasileira hoje e qual o papel do Cafuné Studios dentro dessa comunidade?Estamos entrando agora na indústria de jogos brasileiros e logo de cara podemos ver o quão essa indústria está recheada de estúdios extremamente talentosos que nos dão inspiração e exemplos para seguir, mas realmente temos muitos obstáculos para atravessar. Fazer um jogo indie no Brasil não é fácil, a maioria precisa se dividir entre trabalhar no jogo e trabalhar em outra coisa para ter o seu sustento, mas estamos tendo alguns avanços. Vimos o marco legal dos games virando realidade e agora temos mais fomento público direcionado para jogos, sem dizer que quando vemos um jogo brasileiro ganhando o mundo traz aquele quentinho no coração e particularmente para nós aqui do Cafuné, traz uma vontade de chegar lá também. Quanto ao nosso papel na comunidade, a Camila Thomaz, membro aqui do Cafuné, está montando uma comunidade de desenvolvedores de jogos aqui de Ribeirão Preto para que nós saibamos quem está fazendo jogos por aqui e possamos fortalecer essa comunidade, pensando em fomento para os desenvolvedores, capacitação profissional, trocar ideias e etc. Ainda há mais coisas que queremos fazer pela comunidade, mas por enquanto é isso que podemos fazer.A recepção do público nos eventos em que a demo foi testada já mostrou o potencial gigante da ideia. Segundo a equipe, os jogadores chegam confiantes e logo são testados pela curva de dificuldade, gerando aquela frustração saudável que instiga a tentar "só mais uma vez". O estúdio tem ouvido a comunidade de perto: além de já estudarem a inclusão de batalhas com mecânicas de ritmo — um pedido dos fãs de RPGs —, também não descartam criar opções como "Modo Fácil" ou "Modo Narrativo" para quem deseja apenas curtir a história da Vera sem ficar travado nos desafios.Para quem acompanha o Geek Mega e sonha em criar seus próprios jogos no Brasil, qual conselho de ouro vocês dariam?É muito difícil trabalhar sozinho. É muito mais fácil trabalhar em conjunto com outras pessoas, combinar os talentos de cada um para produzir algo relevante. Para isso é muito importante participar de comunidades, conversar com pessoas que também estão nessa jornada, aprender com as histórias deles, olhar e engajar com o que eles produzem e mostrar o que você produz e absorver conscientemente os feedbacks. Para tanto a melhor sugestão que dou é participar de GameJams. Qualquer uma delas, você vai ter um tema, um prazo e muitas vezes uma equipe para te ajudar. Muitos estúdios surgem de GameJams. E por último, não desista. Síndrome do impostor é muito comum em pessoas que trabalham com arte, aquela sensação que seu trabalho nunca é bom o suficiente, um medo de que tudo dê errado. A verdade é que nas suas primeiras tentativas provavelmente você vai errar em algum ponto mesmo, mas isso é um problema muito menor do que você imagina. Perfeito seu projeto nunca vai ser, mas ele sempre vai ficar melhor quanto mais carinho você da a ele. As pessoas sabem quando você se importa com a arte que você produz, e elas valorizam isso.Para encerrarmos nosso papo, deixe um recado para a nossa comunidade e conte onde os leitores do Geek Mega podem acompanhar o seu trabalho e apoiar o desenvolvimento de Fidedigna!Primeiramente queria agradecer todos que estão lendo e conhecendo sobre nosso estúdio. Ficamos muito felizes em compartilhar nossas histórias e que o Fidedigna é só o nosso primeiro jogo, temos muitos outros projetos em desenvolvimento, muitas histórias mais para contar, com finais felizes, tristes, trágicos, histórias que vão te tocar no coração e influenciar como você enxerga o mundo. O Cafuné é um sonho nosso que estamos trabalhando para fazer se tornar realidade e espero que nossas experiências sejam uma inspiração para vocês criarem e compartilharem as suas experiências. Todas as nossas novidades estamos atualmente postando no Instagram e quando tivermos noticias sobre o jogo, novos perfis em redes sociais e quaisquer outras novidades, tudo vai estar lá. Muito obrigado Geek Mega pela oportunidade e muito obrigado a você, leitor, pelo interesse em nosso cantinho do mundo!Para quem acompanha o Geek Mega e sonha em criar o próprio jogo, o recado do estúdio é de ouro: não tente fazer tudo sozinho, participe de Game Jams e não se deixe paralisar pela Síndrome do Impostor. Fidedigna ainda não tem data de lançamento definida, pois a equipe está dedicada à lapidação do roteiro e ao desenvolvimento artístico, mas já promete ser inesquecível. Fiquem de olho no Instagram do Cafuné Studios e na futura página da Steam, e continuem acompanhando o Geek Mega para não perder nenhuma novidade desse e de outros grandes projetos brasileiros!